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Entrevista à Rádio Vaticana PDF Imprimir E-mail

O presidente do Movimento Político pela Unidade no Brasil, Sergio Previdi concedeu uma entrevista à Rádio Vaticana, no dia 16 de abril, véspera da votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef na Câmara dos Deputados.

Confira a tradução da matéria e da entrevista:

No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment contra o presidente Rousseff. O Governo reconheceu a derrota, mas aposta na batalha no Senado. Deputados brasileiros aprovaram o pedido ao final de uma sessão que durou três dias. Milhares de pessoas saíram às ruas para comemorar na capital Brasília e outras grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Bispos brasileiros fizeram um forte apelo para que os procedimentos sejam corretos, com calma e por uma reação unitária da classe política. Mas o momento é delicado: por um testemunho sobre a tensão política e as possibilidades de uma reconciliação com a sociedade decepcionada, Gabriella Ceraso falou com Sergio Henrique Previdi, presidente do Movimento Político pela Unidade, ramo do Movimento dos Focolares, no Brasil.

Sergio Previdi - Este é um momento muito particular para o Brasil: a maior parte dos políticos brasileiros luta para ganhar o poder e o que é realmente triste para nós é que o povo brasileiro é colocado em segundo plano: não há uma garantia de que haverá uma mudança e, se tiver, que essa mudança possa realmente ser um ganho para todo o povo brasileiro.

 

Gabriella Ceraso / Rádio Vaticana: Há espaço, na sua opinião, para uma reconciliação, aquela que até mesmo os bispos que denunciaram fortemente a corrupção, pediram?

Sergio Previdi – Há a intenção, mas não é possível fazer essa reconciliação. Neste momento é necessário fazer uma proposta, fazer qualquer coisa pela situação econômica, que é terrível. É preciso fazer um projeto pela salvação do Brasil: um projeto verdadeiro, sem interesses capitalistas. Infelizmente, porém, neste momento não há pessoa, não há político ou um grupo que tenha essa predisposição. Os que têm essa disponibilidade são realmente muito poucos.

 

Gabriella Ceraso / Rádio Vaticana: Quais os problemas a serem resolvidos que o povo reivindica?

Sergio Previdi – Sobretudo a corrupção. Isso é um câncer para o Brasil, é a destruição da dignidade do povo. E ela não acaba, essa corrupção continua acontecendo. Em segundo lugar, a situação econômica, que era boa: a diferença entre ricos e pobres havia diminuído, enquanto que agora essa diferença cresceu. A classe política não permite que a situação melhore. Por isso Dilma perdeu tanto da sua popularidade, porque não conseguiu dar uma resposta a essa situação.

 

Gabriella Ceraso / Rádio Vaticana: Vocês, porém, não acreditam que a sucessão possa levar o país a um bom caminho?

Sergio Previdi – Sim, existe a esperança, mas não tenho certeza que a mudança será algo bom. Isso porque o partido que tem maioria está envolvido na corrupção. Este é o problema! Neste momento estão todos juntos e a maioria do Parlamento é composta pelo partido de Dilma e pelo partido do vice-presidente da República, que será o presidente se Dilma Roussef perder o poder. Mas é o mesmo grupo da maioria. Esta é a verdadeira dificuldade de acreditar em uma mudança verdadeira. O importante é que o povo começou a pensar em mudança na política. É preciso que os cidadãos façam seu próprio trabalho, que não participem somente das manifestações nas ruas, mas que cada dia participem das ações políticas. Isto é muito, muito importante, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Não podemos deixar os políticos caminharem sozinhos.

 

Acesse o texto e o áudio originais em italiano no site da Rádio Vaticana: http://it.radiovaticana.va/news/2016/04/18/brasile_camera_approva_impeachment_presidente_rousseff/1223575